Folhas de relva
Walt Whitman
CANÇÃO DE MIM MESMO
EU CELEBRO a mim mesmo, E o que eu assumo você vai assumir, Pois cada átomo que pertence a mim pertence a [ você.Vadio e convido minha alma,Me deito e vadio à vontade .... observando uma [ lâmina de grama do verão.Casas e quartos se enchem de perfumes .... as [ estantes estão entulhadas de perfumes,Respiro o aroma eu mesmo, e gosto e o [ reconheço,Sua destilação poderia me intoxicar também, [ mas não deixo.A atmosfera não é nenhum perfume .... não tem [ gosto de destilação .... é inodoro, É pra minha boca apenas e pra sempre .... estou [ apaixonado por ela, Vou até a margem junto à mata sem disfarces e [ pelado, Louco pra que ela faça contato comigo.A fumaça de minha própria respiração,Ecos, ondulações, zunzuns e sussurros .... raiz[ de amaranto, fio de seda, forquilha e videira, Minha respiração minha inspiração .... a batida [ do meu coração .... passagem de sangue e [ ar por meus pulmões, O aroma das folhas verdes e das folhas secas, [ da praia e das rochas marinhas de cores [ escuras, e do feno na tulha, O som das palavras bafejadas por minha voz .... [ palavras disparadas nos redemoinhos do [ vento,Uns beijos de leve .... alguns agarros .... o [ afago dos braços,Jogo de luz e sombra nas árvores enquanto [ oscilam seus galhos sutis,Delícia de estar só ou no agito das ruas, ou pelos [ campos e encostas de colina,Sensação de bem-estar .... apito do meio-dia [ .... a canção de mim mesmo se erguendo [ da cama e cruzando com o sol.
Uma criança disse, O que é a relva? trazendo um [ tufo em suas mãos; O que dizer a ela ?.... sei tanto quanto ela o que [ é a relva.Vai ver é a bandeira do meu estado de espírito, [ tecida de uma substância de esperança verde.Vai ver é o lenço do Senhor,Um presente perfumado e o lembrete derrubado [ por querer,Com o nome do dono bordado num canto, pra que possamos ver e examinar, e dizer É seu ?
O blablablá das ruas .... rodas de carros e o [ baque das botas e papos dos pedestres, O ônibus pesado, o cobrador de polegar [ interrogativo, o tinir das ferraduras dos [ cavalos no chão de granito. O carnaval de trenós, o retinir de piadas [ berradas e guerras de bolas de neve ; Os gritos de urra aos preferidos do povo .... [ o tumulto da multidão furiosa, O ruflar das cortinas da liteira — dentro um [ doente a caminho do hospital, O confronto de inimigos, súbito insulto, [ socos e quedas, A multidão excitada — o policial e sua estrela [ apressado forçando passagem até o centro [ da multidão; As pedras impassíveis levando e devolvendo [ tantos ecos,As almas se movendo .... será que são invisíveis [ enquanto o mínimo átomo é visível ? Que gemidos de glutões ou famintos que [ esmorecem e desmaiam de insolação [ ou de surtos, Que gritos de grávidas pegas de surpresa, [ correndo pra casa pra parir, Que fala sepulta e viva vibra sempre aqui.... [ quantos uivos reprimidos pelo decoro, Prisões de criminosos, truques, propostas [ indecentes, consentimentos, rejeições de [ lábios convexos, Estou atento a tudo e as suas ressonâncias .... [ estou sempre chegando.
Sou o poeta do corpo, E sou o poeta da alma.Os prazeres do céu estão comigo, os pesares do [ inferno estão comigo,Aqueles, enxerto e faço crescer em mim mesmo [ .... estes, traduzo numa nova língua.Sou o poeta da mulher tanto quanto do homem, E digo que é tão bom ser mulher quanto ser [ homem, E digo que não há nada maior que a mãe dos [ homens.
Vadio uma jornada perpétua,Meus sinais são uma capa de chuva e sapatos [ confortáveis e um cajado arrancado [ do mato ; Nenhum amigo fica confortável em minha [ cadeira, Não tenho cátedra, igreja, nem filosofia; Não conduzo ninguém à mesa de jantar ou à [ biblioteca ou à bolsa de valores,Mas conduzo a uma colina cada homem e mulher [ entre vocês,Minha mão esquerda enlaça sua cintura,Minha mão direita aponta paisagens de [ continentes, e a estrada pública.Nem eu nem ninguém vai percorrer essa estrada [ pra você,Você tem que percorrê-la sozinho.Não é tão longe assim .... está ao seu alcance,Talvez você tenha andado nela a vida toda e não [ sabia,Talvez a estrada esteja em toda parte sobre a [ água e sobre a terra.Pegue sua bagagem, eu pego a minha, vamos em [ frente; Toparemos com cidades maravilhosas e nações [ livres no caminho.Se você se cansar, entrega os fardos, descansa a [ mão macia em meu quadril, E quando for a hora você fará o mesmo por mim; Pois depois de partir não vamos mais parar
SONG OF MYSELF
I CELEBRATE myself; And what I assume you shall assume; For every atom belonging to me, as good belongs [ to you. I loafe and invite my Soul; I lean and loafe at my ease, observing a spear [ of summer grass. Houses and rooms are full of perfumes—the [ shelves are crowded with perfumes; I breathe the fragrance myself, and know it and [ like it; The distillation would intoxicate me also, but I [ shall not let it. The atmosphere is not a perfume—it has no taste [ of the distillation—it is odorless; It is for my mouth forever—I am in love with it; I will go to the bank by the wood, and become [ undisguised and naked; I am mad for it to be in contact with me. The smoke of my own breath; Echoes, ripples, buzz’d whispers, love-root, [ silk-thread, crotch and vine; My respiration and inspiration, the beating of my [ heart, the passing of blood and air through [ my lungs; The sniff of green leaves and dry leaves, and of [ the shore, and dark-color’d sea-rocks, [ and of hay in the barn; The sound of the belch’d words of my voice, [ words loos’d to the eddies of the wind; A few light kisses, a few embraces, a reaching [ around of arms; The play of shine and shade on the trees as the [ supple boughs wag; The delight alone, or in the rush of the streets, [ or along the fields and hill-sides; The feeling of health, the full-noon trill, [ the song of me rising from bed and [ meeting the sun.
A child said, What is the grass? fetching it to me [ with full hands; How could I answer the child? I do not know [ what it is, any more than he. I guess it must be the flag of my disposition, [ out of hopeful green stuff woven. Or I guess it is the handkerchief of the Lord, A scented gift and remembrancer, designedly [ dropt, Bearing the owner’s name someway in the [ corners, that we may see and remark, [ and say, Whose?
The blab of the pave, the tires of carts, sluff of [ boot-soles, talk of the promenaders; The heavy omnibus, the driver with his [ interrogating thumb, the clank of the shod [ horses on the granite floor; The snow-sleighs, the clinking, shouted jokes, [ pelts of snowballs; The hurrahs for popular favorites, the fury of [ rous’d mobs; The flap of the curtain’d litter, a sick man [ inside, borne to the hospital; The meeting of enemies, the sudden oath, the [ blows and fall; The excited crowd, the policeman with his star, [ quickly working his passage to the centre of [ the crowd; The impassive stones that receive and return so [ many echoes; What groans of over-fed or half-starv’d who fall [ sun-struck, or in fits; What exclamations of women taken suddenly, [ who hurry home and give birth to babes; What living and buried speech is always vibrating [ here—what howls restrain’d by decorum; Arrests of criminals, slights, adulterous offers [ made, acceptances, rejections with convex [ lips; I mind them or the show or resonance of them — [ I come again and again.
I am the poet of the Body; And I am the poet of the Soul. The pleasures of heaven are with me, and the [ pains of hell are with me; The first I graft and increase upon myself—the [ latter I translate into a new tongue. I am the poet of the woman the same as the [ man; And I say it is as great to be a woman as to be [ a man; And I say there is nothing greater than the [ mother of men.
I tramp a perpetual journey, My signs are a rain-proof coat, good shoes, and a [ staff cut from the woods; 1200 No friend of mine takes his ease in my chair; I have no chair, no church, no philosophy; I lead no man to a dinner-table, library, or [ exchange; But each man and each woman of you I lead [ upon a knoll, My left hand hooking you round the waist, My right hand pointing to landscapes of [ continents, and a plain public road. Not I—not any one else, can travel that road [ for you, You must travel it for yourself. It is not far—it is within reach; Perhaps you have been on it since you were born, [ and did not know; Perhaps it is every where on water and on land. Shoulder your duds, dear son, and I will mine, [ and let us hasten forth, Wonderful cities and free nations we shall fetch [ as we go. If you tire, give me both burdens, and rest the [ chuff of your hand on my hip, And in due time you shall repay the same service [ to me; For after we start, we never lie by again.
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And in this crazy life, and through these crazy times
It's you, it's you, you make me sing
You're every line, you're every word, you're everything
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E nessa vida louca, e por esses tempos malucos
É você, É você, Você me faz cantar
Você é cada frase, Você é cada palavra, Você é tudo
It's you, it's you, you make me sing
You're every line, you're every word, you're everything
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E nessa vida louca, e por esses tempos malucos
É você, É você, Você me faz cantar
Você é cada frase, Você é cada palavra, Você é tudo
quarta-feira, 21 de abril de 2010
Álvaro de Campos Saudação a Walt Whitman
Álvaro de Campos
Saudação a Walt Whitman
Portugal Infinito, onze de junho de mil novecentos e quinze... Hé-lá-á-á-á-á-á-á!
De aqui de Portugal, todas as épocas no meu cérebro, Saúdo-te, Walt, saúdo-te, meu irmão em Universo, Eu, de monóculo e casaco exageradamente cintado, Não sou indigno de ti, bem o sabes, Walt, Não sou indigno de ti, basta saudar-te para o não ser... Eu tão contíguo à inércia, tão facilmente cheio de tédio, Sou dos teus, tu bem sabes, e compreendo-te e amo-te, E embora te não conhecesse, nascido pelo ano em que morrias, Sei que me amaste também, que me conheceste, e estou contente. Sei que me conheceste, que me contemplaste e me explicaste, Sei que é isso que eu sou, quer em Brooklyn Ferry dez anos antes de eu nascer, Quer pela Rua do Ouro acima pensando em tudo que não é a Rua do Ouro, E conforme tu sentiste tudo, sinto tudo, e cá estamos de mãos dadas, De mãos dadas, Walt, de mãos dadas, dançando o universo na alma.
Ó sempre moderno e eterno, cantor dos concretos absolutos, Concubina fogosa do universo disperso, Grande pederasta roçando-te contra a adversidade das coisas, Sexualizado pelas pedras, pelas árvores, pelas pessoas, pelas profissões, Cio das passagens, dos encontros casuais, das meras observações, Meu entusiasta pelo conteúdo de tudo, Meu grande herói entrando pela Morte dentro aos pinotes, E aos urros, e aos guinchos, e aos berros saudando Deus!
Cantor da fraternidade feroz e terna com tudo, Grande democrata epidérmico, contágio a tudo em corpo e alma, Carnaval de todas as ações, bacanal de todos os propósitos, Irmão gêmeo de todos os arrancos, Jean-Jacques Rousseau do mundo que havia de produzir máquinas, Homero do insaisissable de flutuante carnal, Shakespeare da sensação que começa a andar a vapor, Milton-Shelley do horizonte da Eletricidade futura! incubo de todos os gestos Espasmo pra dentro de todos os objetos-força, Souteneur de todo o Universo, Rameira de todos os sistemas solares...
Quantas vezes eu beijo o teu retrato! Lá onde estás agora (não sei onde é mas é Deus) Sentes isto, sei que o sentes, e os meus beijos são mais quentes (em gente) E tu assim é que os queres, meu velho, e agradeces de lá —, Sei-o bem, qualquer coisa mo diz, um agrado no meu espírito
Uma ereção abstrata e indireta no fundo da minha alma.
Nada do engageant em ti, mas ciclópico e musculoso, Mas perante o Universo a tua atitude era de mulher, E cada erva, cada pedra, cada homem era para ti o Universo.
Meu velho Walt, meu grande Camarada, evohé! Pertenço à tua orgia báquica de sensações-em-liberdade, Sou dos teus, desde a sensação dos meus pés até à náusea em meus sonhos, Sou dos teus, olha pra mim, de aí desde Deus vês-me ao contrário: De dentro para fora... Meu corpo é o que adivinhas, vês a minha alma — Essa vês tu propriamente e através dos olhos dela o meu corpo — Olha pra mim: tu sabes que eu, Álvaro de Campos, engenheiro, Poeta sensacionista, Não sou teu discípulo, não sou teu amigo, não sou teu cantor, Tu sabes que eu sou Tu e estás contente com isso!
Nunca posso ler os teus versos a fio... Há ali sentir demais... Atravesso os teus versos como a uma multidão aos encontrões a mim, E cheira-me a suor, a óleos, a atividade humana e mecânica. Nos teus ver sos, a certa altura não sei se leio ou se vivo, Não sei se o meu lugar real é no mundo ou nos teus versos,
Não sei se estou aqui, de pé sobre a terra natural, Ou de cabeça pra baixo, pendurado numa espécie de estabelecimento, No teto natural da tua inspiração de tropel, No centro do teto da tua intensidade inacessível.
Abram-me todas as portas! Por força que hei de passar! Minha senha? Walt Whitman! Mas não dou senha nenhuma... Passo sem explicações... Se for preciso meto dentro as portas... Sim — eu, franzino e civilizado, meto dentro as portas, Porque neste momento não sou franzino nem civilizado, Sou EU, um universo pensante de carne e osso, querendo passar, E que há de passar por força, porque quando quero passar sou Deus! Tirem esse lixo da minha frente! Metam-me em gavetas essas emoções! Daqui pra fora, políticos, literatos, Comerciantes pacatos, polícia, meretrizes, souteneurs, Tudo isso é a letra que mata, não o espírito que dá a vida. O espírito que dá a vida neste momento sou EU!
Que nenhum filho da... se me atravesse no caminho! O meu caminho é pelo infinito fora até chegar ao fim! Se sou capaz de chegar ao fim ou não, não é contigo, E comigo, com Deus, com o sentido-eu da palavra Infinito... Pra frente! Meto esporas! Sinto as esporas, sou o próprio cavalo em que monto, Porque eu, por minha vontade de me consubstanciar com Deus, Posso ser tudo, ou posso ser nada, ou qualquer coisa, Conforme me der na gana... Ninguém tem nada com isso... Loucura furiosa! Vontade de ganir, de saltar, De urrar, zurrar, dar pulos, pinotes, gritos com o corpo, De me cramponner às rodas dos veículos e meter por baixo, De me meter adiante do giro do chicote que vai bater, De ser a cadela de todos os cães e eles não bastam, De ser o volante de todas as máquinas e a velocidade tem limite, De ser o esmagado, o deixado, o deslocado, o acabado, Dança comigo, Walt, lá do outro mundo, esta fúria, Salta comigo neste batuque que esbarra com os astros, Cai comigo sem forças no chão, Esbarra comigo tonto nas paredes, Parte-te e esfrangalha-te comigo Em tudo, por tudo, à roda de tudo, sem tudo, Raiva abstrata do corpo fazendo maelstroms na alma...
Arre! Vamos lá pra frente! Se o próprio Deus impede, vamos lá pra frente Não faz diferença Vamos lá pra frente sem ser para parte nenhuma Infinito! Universo! Meta sem meta! Que importa?
(Deixa-me tirar a gravata e desabotoar o colarinho . Não se pode ter muita energia com a civilização à roda do pescoço ...) Agora, sim, partamos, vá lá pra frente.
Numa grande marche aux flabeux-todas-as-cidades-da-Europa, Numa grande marcha guerreira a indústria, o comércio e ócio, Numa grande corrida, numa grande subida, numa grande descida Estrondeando, pulando, e tudo pulando comigo, Salto a saudar-te, Berro a saudar-te, Desencadeio-me a saudar-te, aos pinotes, aos pinos, aos guinos!
Por isso é a ti que endereço Meus versos saltos, meus versos pulos, meus versos espasmos Os meus versos-ataques-histéricos, Os meus versos que arrastam o carro dos meus nervos.
Aos trambolhões me inspiro, Mal podendo respirar, ter-me de pé me exalto, E os meus versos são eu não poder estoirar de viver.
Abram-me todas as janelas! Arranquem-me todas as portas! Puxem a casa toda para cima de mim! Quero viver em liberdade no ar, Quero ter gestos fora do meu corpo, Quero correr como a chuva pelas paredes abaixo, Quero ser pisado nas estradas largas como as pedras, Quero ir, como as coisas pesadas, para o fundo dos mares, Com uma voluptuosidade que já está longe de mim!
Não quero fechos nas portas! Não quero fechaduras nos cofres! Quero intercalar-me, imiscuir-me, ser levado, Quero que me façam pertença doída de qualquer outro, Que me despejem dos caixotes, Que me atirem aos mares, Que me vão buscar a casa com fins obscenos, Só para não estar sempre aqui sentado e quieto, Só para não estar simplesmente escrevendo estes versos! Não quero intervalos no mundo!
Quero a contigüidade penetrada e material dos objetos! Quero que os corpos físicos sejam uns dos outros como as almas, Não só dinamicamente, mas estaticamente também!
Quero voar e cair de muito alto! Ser arremessado como uma granada! Ir parar a... Ser levado até... Abstrato auge no fim cie mim e de tudo!
Clímax a ferro e motores! Escadaria pela velocidade acima, sem degraus! Bomba hidráulica desancorando-me as entranhas sentidas!
Ponham-me grilhetas só para eu as partir! Só para eu as partir com os dentes, e que os dentes sangrem Gozo masoquista, espasmódico a sangue, da vida!
Os marinheiros levaram-me preso, As mãos apertaram-me no escuro, Morri temporariamente de senti-lo, Seguiu-se a minh'alma a lamber o chão do cárcere privado, E a cega-rega das impossibilidades contornando o meu acinte.
Pula, salta, toma o freio nos dentes, Pégaso-ferro-em-brasa das minhas ânsias inquietas, Paradeiro indeciso do meu destino a motores!
He calls Walt:
Porta pra tudo! Ponte pra tudo! Estrada pra tudo! Tua alma omnívora, Tua alma ave, peixe, fera, homem, mulher, Tua alma os dois onde estão dois, Tua alma o um que são dois quando dois são um, Tua alma seta, raio, espaço, Amplexo, nexo, sexo, Texas, Carolina, New York, Brooklyn Ferry à tarde, Brooklyn Ferry das idas e dos regressos, Libertad! Democracy! Século vinte ao longe! PUM! pum! pum! pum! pum! PUM! Tu, o que eras, tu o que vias, tu o que ouvias, O sujeito e o objeto, o ativo e o passivo, Aqui e ali, em toda a parte tu, Círculo fechando todas as possibilidades de sentir, Marco miliário de todas as coisas que podem ser, Deus Termo de todos os objetos que se imaginem e és tu! Tu Hora, Tu Minuto, Tu Segundo! Tu intercalado, liberto, desfraldado, ido, Intercalamento, libertação, ida, desfraldamento, Tu intercalador, libertador, desfraldador, remetente, Carimbo em todas as cartas, Nome em todos os endereços, Mercadoria entregue, devolvida, seguindo... Comboio de sensações a alma-quilômetros à hora, À hora, ao minuto, ao segundo, PUM!
Agora que estou quase na morte e vejo tudo já claro, Grande Libertador, volto submisso a ti.
Sem dúvida teve um fim a minha personalidade. Sem dúvida porque se exprimiu, quis dizer qualquer coisa Mas hoje, olhando para trás, só uma ânsia me fica — Não ter tido a tua calma superior a ti-próprio, A tua libertação constelada de Noite Infinita.
Não tive talvez missão alguma na terra.
Heia que eu vou chamar Ao privilégio ruidoso e ensurdecedor de saudar-te Todo o formilhamento humano do Universo, Todos os modos de todas as emoções Todos os feitios de todos os pensamentos, Todas as rodas, todos os volantes, todos os êmbolos da alma. Heia que eu grito E num cortejo de Mim até ti estardalhaçam Com uma algaravia metafisica e real, Com um chinfrim de coisas passado por dentro sem nexo.
Ave, salve, viva, ó grande bastardo de Apolo, Amante impotente e fogoso das nove musas e das graças, Funicular do Olimpo até nós e de nós ao Olimpo.
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Saudação a Walt Whitman
Portugal Infinito, onze de junho de mil novecentos e quinze... Hé-lá-á-á-á-á-á-á!
De aqui de Portugal, todas as épocas no meu cérebro, Saúdo-te, Walt, saúdo-te, meu irmão em Universo, Eu, de monóculo e casaco exageradamente cintado, Não sou indigno de ti, bem o sabes, Walt, Não sou indigno de ti, basta saudar-te para o não ser... Eu tão contíguo à inércia, tão facilmente cheio de tédio, Sou dos teus, tu bem sabes, e compreendo-te e amo-te, E embora te não conhecesse, nascido pelo ano em que morrias, Sei que me amaste também, que me conheceste, e estou contente. Sei que me conheceste, que me contemplaste e me explicaste, Sei que é isso que eu sou, quer em Brooklyn Ferry dez anos antes de eu nascer, Quer pela Rua do Ouro acima pensando em tudo que não é a Rua do Ouro, E conforme tu sentiste tudo, sinto tudo, e cá estamos de mãos dadas, De mãos dadas, Walt, de mãos dadas, dançando o universo na alma.
Ó sempre moderno e eterno, cantor dos concretos absolutos, Concubina fogosa do universo disperso, Grande pederasta roçando-te contra a adversidade das coisas, Sexualizado pelas pedras, pelas árvores, pelas pessoas, pelas profissões, Cio das passagens, dos encontros casuais, das meras observações, Meu entusiasta pelo conteúdo de tudo, Meu grande herói entrando pela Morte dentro aos pinotes, E aos urros, e aos guinchos, e aos berros saudando Deus!
Cantor da fraternidade feroz e terna com tudo, Grande democrata epidérmico, contágio a tudo em corpo e alma, Carnaval de todas as ações, bacanal de todos os propósitos, Irmão gêmeo de todos os arrancos, Jean-Jacques Rousseau do mundo que havia de produzir máquinas, Homero do insaisissable de flutuante carnal, Shakespeare da sensação que começa a andar a vapor, Milton-Shelley do horizonte da Eletricidade futura! incubo de todos os gestos Espasmo pra dentro de todos os objetos-força, Souteneur de todo o Universo, Rameira de todos os sistemas solares...
Quantas vezes eu beijo o teu retrato! Lá onde estás agora (não sei onde é mas é Deus) Sentes isto, sei que o sentes, e os meus beijos são mais quentes (em gente) E tu assim é que os queres, meu velho, e agradeces de lá —, Sei-o bem, qualquer coisa mo diz, um agrado no meu espírito
Uma ereção abstrata e indireta no fundo da minha alma.
Nada do engageant em ti, mas ciclópico e musculoso, Mas perante o Universo a tua atitude era de mulher, E cada erva, cada pedra, cada homem era para ti o Universo.
Meu velho Walt, meu grande Camarada, evohé! Pertenço à tua orgia báquica de sensações-em-liberdade, Sou dos teus, desde a sensação dos meus pés até à náusea em meus sonhos, Sou dos teus, olha pra mim, de aí desde Deus vês-me ao contrário: De dentro para fora... Meu corpo é o que adivinhas, vês a minha alma — Essa vês tu propriamente e através dos olhos dela o meu corpo — Olha pra mim: tu sabes que eu, Álvaro de Campos, engenheiro, Poeta sensacionista, Não sou teu discípulo, não sou teu amigo, não sou teu cantor, Tu sabes que eu sou Tu e estás contente com isso!
Nunca posso ler os teus versos a fio... Há ali sentir demais... Atravesso os teus versos como a uma multidão aos encontrões a mim, E cheira-me a suor, a óleos, a atividade humana e mecânica. Nos teus ver sos, a certa altura não sei se leio ou se vivo, Não sei se o meu lugar real é no mundo ou nos teus versos,
Não sei se estou aqui, de pé sobre a terra natural, Ou de cabeça pra baixo, pendurado numa espécie de estabelecimento, No teto natural da tua inspiração de tropel, No centro do teto da tua intensidade inacessível.
Abram-me todas as portas! Por força que hei de passar! Minha senha? Walt Whitman! Mas não dou senha nenhuma... Passo sem explicações... Se for preciso meto dentro as portas... Sim — eu, franzino e civilizado, meto dentro as portas, Porque neste momento não sou franzino nem civilizado, Sou EU, um universo pensante de carne e osso, querendo passar, E que há de passar por força, porque quando quero passar sou Deus! Tirem esse lixo da minha frente! Metam-me em gavetas essas emoções! Daqui pra fora, políticos, literatos, Comerciantes pacatos, polícia, meretrizes, souteneurs, Tudo isso é a letra que mata, não o espírito que dá a vida. O espírito que dá a vida neste momento sou EU!
Que nenhum filho da... se me atravesse no caminho! O meu caminho é pelo infinito fora até chegar ao fim! Se sou capaz de chegar ao fim ou não, não é contigo, E comigo, com Deus, com o sentido-eu da palavra Infinito... Pra frente! Meto esporas! Sinto as esporas, sou o próprio cavalo em que monto, Porque eu, por minha vontade de me consubstanciar com Deus, Posso ser tudo, ou posso ser nada, ou qualquer coisa, Conforme me der na gana... Ninguém tem nada com isso... Loucura furiosa! Vontade de ganir, de saltar, De urrar, zurrar, dar pulos, pinotes, gritos com o corpo, De me cramponner às rodas dos veículos e meter por baixo, De me meter adiante do giro do chicote que vai bater, De ser a cadela de todos os cães e eles não bastam, De ser o volante de todas as máquinas e a velocidade tem limite, De ser o esmagado, o deixado, o deslocado, o acabado, Dança comigo, Walt, lá do outro mundo, esta fúria, Salta comigo neste batuque que esbarra com os astros, Cai comigo sem forças no chão, Esbarra comigo tonto nas paredes, Parte-te e esfrangalha-te comigo Em tudo, por tudo, à roda de tudo, sem tudo, Raiva abstrata do corpo fazendo maelstroms na alma...
Arre! Vamos lá pra frente! Se o próprio Deus impede, vamos lá pra frente Não faz diferença Vamos lá pra frente sem ser para parte nenhuma Infinito! Universo! Meta sem meta! Que importa?
(Deixa-me tirar a gravata e desabotoar o colarinho . Não se pode ter muita energia com a civilização à roda do pescoço ...) Agora, sim, partamos, vá lá pra frente.
Numa grande marche aux flabeux-todas-as-cidades-da-Europa, Numa grande marcha guerreira a indústria, o comércio e ócio, Numa grande corrida, numa grande subida, numa grande descida Estrondeando, pulando, e tudo pulando comigo, Salto a saudar-te, Berro a saudar-te, Desencadeio-me a saudar-te, aos pinotes, aos pinos, aos guinos!
Por isso é a ti que endereço Meus versos saltos, meus versos pulos, meus versos espasmos Os meus versos-ataques-histéricos, Os meus versos que arrastam o carro dos meus nervos.
Aos trambolhões me inspiro, Mal podendo respirar, ter-me de pé me exalto, E os meus versos são eu não poder estoirar de viver.
Abram-me todas as janelas! Arranquem-me todas as portas! Puxem a casa toda para cima de mim! Quero viver em liberdade no ar, Quero ter gestos fora do meu corpo, Quero correr como a chuva pelas paredes abaixo, Quero ser pisado nas estradas largas como as pedras, Quero ir, como as coisas pesadas, para o fundo dos mares, Com uma voluptuosidade que já está longe de mim!
Não quero fechos nas portas! Não quero fechaduras nos cofres! Quero intercalar-me, imiscuir-me, ser levado, Quero que me façam pertença doída de qualquer outro, Que me despejem dos caixotes, Que me atirem aos mares, Que me vão buscar a casa com fins obscenos, Só para não estar sempre aqui sentado e quieto, Só para não estar simplesmente escrevendo estes versos! Não quero intervalos no mundo!
Quero a contigüidade penetrada e material dos objetos! Quero que os corpos físicos sejam uns dos outros como as almas, Não só dinamicamente, mas estaticamente também!
Quero voar e cair de muito alto! Ser arremessado como uma granada! Ir parar a... Ser levado até... Abstrato auge no fim cie mim e de tudo!
Clímax a ferro e motores! Escadaria pela velocidade acima, sem degraus! Bomba hidráulica desancorando-me as entranhas sentidas!
Ponham-me grilhetas só para eu as partir! Só para eu as partir com os dentes, e que os dentes sangrem Gozo masoquista, espasmódico a sangue, da vida!
Os marinheiros levaram-me preso, As mãos apertaram-me no escuro, Morri temporariamente de senti-lo, Seguiu-se a minh'alma a lamber o chão do cárcere privado, E a cega-rega das impossibilidades contornando o meu acinte.
Pula, salta, toma o freio nos dentes, Pégaso-ferro-em-brasa das minhas ânsias inquietas, Paradeiro indeciso do meu destino a motores!
He calls Walt:
Porta pra tudo! Ponte pra tudo! Estrada pra tudo! Tua alma omnívora, Tua alma ave, peixe, fera, homem, mulher, Tua alma os dois onde estão dois, Tua alma o um que são dois quando dois são um, Tua alma seta, raio, espaço, Amplexo, nexo, sexo, Texas, Carolina, New York, Brooklyn Ferry à tarde, Brooklyn Ferry das idas e dos regressos, Libertad! Democracy! Século vinte ao longe! PUM! pum! pum! pum! pum! PUM! Tu, o que eras, tu o que vias, tu o que ouvias, O sujeito e o objeto, o ativo e o passivo, Aqui e ali, em toda a parte tu, Círculo fechando todas as possibilidades de sentir, Marco miliário de todas as coisas que podem ser, Deus Termo de todos os objetos que se imaginem e és tu! Tu Hora, Tu Minuto, Tu Segundo! Tu intercalado, liberto, desfraldado, ido, Intercalamento, libertação, ida, desfraldamento, Tu intercalador, libertador, desfraldador, remetente, Carimbo em todas as cartas, Nome em todos os endereços, Mercadoria entregue, devolvida, seguindo... Comboio de sensações a alma-quilômetros à hora, À hora, ao minuto, ao segundo, PUM!
Agora que estou quase na morte e vejo tudo já claro, Grande Libertador, volto submisso a ti.
Sem dúvida teve um fim a minha personalidade. Sem dúvida porque se exprimiu, quis dizer qualquer coisa Mas hoje, olhando para trás, só uma ânsia me fica — Não ter tido a tua calma superior a ti-próprio, A tua libertação constelada de Noite Infinita.
Não tive talvez missão alguma na terra.
Heia que eu vou chamar Ao privilégio ruidoso e ensurdecedor de saudar-te Todo o formilhamento humano do Universo, Todos os modos de todas as emoções Todos os feitios de todos os pensamentos, Todas as rodas, todos os volantes, todos os êmbolos da alma. Heia que eu grito E num cortejo de Mim até ti estardalhaçam Com uma algaravia metafisica e real, Com um chinfrim de coisas passado por dentro sem nexo.
Ave, salve, viva, ó grande bastardo de Apolo, Amante impotente e fogoso das nove musas e das graças, Funicular do Olimpo até nós e de nós ao Olimpo.
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segunda-feira, 19 de abril de 2010
Maria Bethania

Maria Bethania é uma grande interprete da música brasileira, ela é minha cantora favorita e costuma citar em suas apresentações versos de Fernando Pessoa, como nessa música "mensagem".
Quando o carteiro chegou e o meu nome gritou
Com uma carta na mão
Ah! De surpresa, tão rude,
Nem sei como pude chegar ao portão
Lendo o envelope bonito,
O seu sobrescrito eu reconheci
A mesma caligrafia que me disse um dia
"Estou farto de ti"
Porém não tive coragem de abrir a mensagem
Porque, na incerteza, eu meditava
Dizia: "será de alegria, será de tristeza?"
Quanta verdade tristonha
Ou mentira risonha uma carta nos traz
E assim pensando, rasguei sua carta e queimei
Para não sofrer mais
Todas as cartas de amor são ridículas,
Todas as cartas de amor são ridículas,
Não seriam cartas de amor, se não fossem ridículas
Também escrevi, no meu tempo,
cartas de amor como as outras, ridículas
As cartas de amor, se há amor, têm de ser ridículas
Quem me dera o tempo em que eu escrevia,
sem dar por isso, cartas de amor ridículas
Afinal, só as criaturas que nunca escreveram cartas de amor
é que são ridículas
Porém não tive coragem de abrir a mensagem
Porém não tive coragem de abrir a mensagem
Porque, na incerteza, eu meditava
Dizia: "será de alegria, será de tristeza?"
Quanta verdade tristonha
Ou mentira risonha uma carta nos traz
E assim pensando, rasguei sua carta e queimei
Para não sofrer mais
.......
Quanto a mim o amor passou
Quanto a mim o amor passou
Eu só lhe peço que não faça como gente vulgar
E não me volte a cara quando passa por si
Nem tenha de mim uma recordação em que entre o rancor
Fiquemos um perante o outro
Como dois conhecidos desde a infância
Que se amaram um pouco quando meninos
Embora na vida adulta sigam outras afeições
Conserva-nos, escaninho da alma,
a memória de seu amor antigo e inútil
.....................
Chão de Estrelas
Minha vida era um palco iluminado
E eu vivia vestido de dourado
Palhaço das perdidas ilusões
Cheio dos guisos falsos da alegria
Andei cantando a minha fantasia
Entre as palmas febris dos corações
Meu barracão lá no morro do salgueiro
Meu barracão lá no morro do salgueiro
Tinha um cantar alegre de um viveiro
Foste a sonoridade que acabou
E hoje quando do sol a claridade
Cobre meu barracão sinto saudade
da mulher pomba-rola que voou
Nossas roupas comuns dependuradas
nas cordas qual bandeiras agitadas
pareciam um estranho festival
festa dos nossos trapos coloridos
a mostrar que nos morros mal vestidos
é sempre feriado nacional
A porta do barraco era sem trinco
A porta do barraco era sem trinco
E a lua furando nosso zinco
salpicava de estrelas nosso chão
E tu, tu pisavas nos astros distraída
Sem saber que a ventura dessa vida
É a cabrocha, o luar e o violão
-----------------------------
Composição: Isolda e Milton Carlos
Eu sei que eu tenho um jeito
Eu sei que eu tenho um jeito
Meio estúpido de ser
E de dizer coisas que podem magoar e te ofender
Mas cada um tem o seu jeito
Todo próprio de amar e de se defender
Você me acusa e só me preocupa
Agrava mais e mais a minha culpa
Eu faço, e desfaço, contrafeito
O meu defeito é te amar demais
Palavras são palavras
E a gente nem percebe o que disse sem querer
E o que deixou pra depois
Mais o importante é perceber
Que a nossa vida em comum
Depende só e unicamente de nós dois
Eu tento achar um jeito de explicar
Você bem que podia me aceitar
Eu sei que eu tenho um jeito meio estúpido de ser
Mas é assim que eu sei te amar
sexta-feira, 16 de abril de 2010

Kiss and Say Goodbye
Barry White
This is got to be the saddest day of my life
Esse deve ser o dia mais triste da minha vidaI call you here today for a bit of bad news
Eu chamei você aqui hoje para dar notícias ruinsI won't be able to see you anymore
Eu não posso mais ver vocêBecause of my obligations and the ties that you have.
Por causa das minhas obrigações e as amarras que você tem.We've being meeting here everyday
Nós temos nos encontrado aqui todos os diasAnd since this is our last day together
E já que esse é o nosso ultimo dia juntosI wanna hold you, just one more time.
Eu quero te abraçar, só mais uma vezWhen you turn and walk away
Quando você se virar e for emboraDon't look back
Não olhe para trásI wanna remember you, just like this
Eu quero lembrar de você exatamente assimLet's just kiss and say goodbye.
Vamos apenas nos beijar e dizer adeus.I have to meet you here today
Eu tive que encontrar com você aqui hojeThere's just so many things to say
Existem tantas coisas para se dizerPlease don't stop me 'til I'm through
Por favor não me interronpa até eu acabarThis is something I hate to do.
Isso é algo que eu estou odiando fazerWe've being meeting here so long
Mesmo estando nos encontrando aqui a tanto tempoI guess what we've done, all was wrong
Eu acho que o que nós fizemos, tudo foi erradoPlease darling, don't you cry
Por favor querida, não choreLet's just kiss and say goodbye.
Vamos apenas nos beijar e dizer adeus.Many months have passed us by
Muitos meses tem passado por nós(I'm gonna miss you) I'm gonna miss you, I can't lie
Eu vou sentir sua falta, eu não posso negar
(I'm gonna miss you) I've got ties and so do you
Eu tenho amarras e você tambémI just think this is the thing to do.
Eu apenas acho que é isso que devemos fazer
It's gonna hurt me I can't lie
Isso vai me machucar eu não posso negar
Maybe you'll meet, you'll meet another guy
Talvez você conheça, você conheça outro rapazUnderstand me, won't you try, try, try, try, try, try, try
Me entenda, você não pode tentar?Let's just kiss and say goodbye.
Vamos apenas nos beijar e dizer adeus.(I'm gonna miss you) I'm gonna miss you, I can't lie
Eu vou sentir sua falta, eu não posso negar(I'm gonna miss you) Understand me, won't you try
Me entenda, você não pode tentar?(I'm gonna miss you) It's gonna hurt me I can't lie.
Isso vai me machucar eu não posso negar.
Biografia(resumo)
Barrence Eugene Carter, mais conhecido como Barry White (Galveston, 12 de Setembro de 1944 — Los Angeles, 4 de Julho de 2003) foi um cantor e produtor musical norte-americano. Compositor de inúmeros sucessos em estilo soul e disco e de baladas românticas, e um intérprete com voz profunda e grave, um verdadeiro poeta romântico.
Escrever é esquecer. A literatura é a maneira mais agradável de ignorar a vida. A música embala, as artes visuais animam, as artes vivas (como a dança e a arte de representar) entretêm. A primeira, porém, afasta-se da vida por fazer dela um sono; as segundas, contudo, não se afastam da vida - umas porque usam de fórmulas visíveis e portanto vitais, outras porque vivem da mesma vida humana. Não é o caso da literatura. Essa simula a vida. Um romance é uma história do que nunca foi e um drama é um romance dado sem narrativa. Um poema é a expressão de ideias ou de sentimentos em linguagem que ninguém emprega, pois que ninguém fala em verso.
Amo como ama o amor. Não conheço nenhuma outra razão para amar senão amar. Que queres que te diga, além de que te amo, se o que quero dizer-te é que te amo?
As vezes ouço passar o vento; e só de ouvir o vento passar, vale a pena ter nascido.
Quero para mim o espírito desta frase,transformada a forma para a casar com o que eu sou:Viver não é necessário; o que é necessário é criar.
Tenho em mim todos os sonhos do mundo
O amor romântico é como um traje, que, como não é eterno, dura tanto quanto dura; e, em breve, sob a veste do ideal que formámos, que se esfacela, surge o corpo real da pessoa humana, em que o vestimos. O amor romântico, portanto, é um caminho de desilusão. Só o não é quando a desilusão, aceite desde o príncipio, decide variar de ideal constantemente, tecer constantemente, nas oficinas da alma, novos trajes, com que constantemente se renove o aspecto da criatura, por eles vestida.
A maioria pensa com a sensibilidade, eu sinto com o pensamento. Para o homem vulgar, sentir é viver e pensar é saber viver. Para mim, pensar é viver e sentir não é mais que o alimento de pensar.
O meu passado é tudo quanto não consegui ser. Nem as sensações de momentos idos me são saudosas: o que se sente exige o momento; passado este, há um virar de página e a história continua, mas não o texto.
Toda a poesia - e a canção é uma poesia ajudada - reflecte o que a alma não tem. Por isso a canção dos povos tristes é alegre e a canção dos povos alegres é triste.
Eu não escrevo em português. Escrevo eu mesmo.
A maioria pensa com a sensibilidade, eu sinto com o pensamento. Para o homem vulgar, sentir é viver e pensar é saber viver. Para mim, pensar é viver e sentir não é mais que o alimento de pensar.
O poeta é um fingidor.Finge tão completamenteQue chega a fingir que é dorA dor que deveras sente.
Ao meu mestre em poesia
Fernando Pessoa - por ele mesmo.
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