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And in this crazy life, and through these crazy times
It's you, it's you, you make me sing
You're every line, you're every word, you're everything

................................................................................................
E nessa vida louca, e por esses tempos malucos
É você, É você, Você me faz cantar
Você é cada frase, Você é cada palavra, Você é tudo

sábado, 30 de outubro de 2010

Belezas da criação

Cada dia que vivo me certifico de como Deus caprichou na criação para que os nossos olhos pudessem contemplar essas imagens belissimas.

Tirei estas fotos num passeio a Itaporanga:



Estas foram tiradas do mirante da 13 de julho:


" Pois as suas qualidades invisíveis são claramente vistas desde a criação do mundo em diante, porque são percebidas por meio das coisas feitas, mesmo seu sempiterno poder e Divindade, de modo que eles são inescusáveis" Romanos 1: 20.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Sala de leitura. Anjos no aquario.


Leitura é fundamental...
Faz bem para o espirito
acalma
faz a gente relaxar
esquecer do mundo.. dos problemas...
quando leio um bom livro eu mergulho profundamente até que ele termine...
é assim...
simplesmente assim..


Um dos livros que li na adolescencia e que ficou marcado em minha vida
foi "Anjos no Aquario"
Fala de uma garota que enfrenta os desafios de uma gravidez na adolescencia.
Eu me identifiquei com ele porque ela escrevia muito em seu diário... coisa que fiz muito na juventude...
Traz uma mensagem inicial :

Diario de Tina

"Sou um anjo falso afogado num belo aquario de aparências onde me transformo num belo e encantador peixinho dourado.
Sou um peixinho dourado preso num pequeno aquario diante do qual meus pais aparecem de vez em quando pra me ver, para dizer o que devo fazer, ser e aprender. Para ver se estou sendo uma boa menina. Sou um peixinho dourado cansado de ser um peixinho dourado, um anjo tolo que os outros adimiram e que esperam que se comporte bem, mas que poucos tocam ou se preocupam com o que sente, pensa ou com o que deseja para si mesmo.
Sou apenas um peixinho dourado - um anjo que não deu certo - nadando na imensidão de limites estreito de seus olhares, vitima de sua propria beleza.
Vou decepcioná-los."

É belissímo!!

sábado, 25 de setembro de 2010

Simples assim.....



Esta foi uma das fotos mais bobas que já tirei, no entanto, é uma das que mais gosto. Ela representa a beleza e a simplicidade da vida.

Mostra como os detalhes, como por exemplo, esta manhã vista dum quintal qualquer pode ser tão linda e inspiradora.

Cada dia apercebo-me de como esta vida é curta, e de como a gente passa por ela sem notar os pequenos detalhes que fazem tanta diferença no fim das contas...


quinta-feira, 1 de julho de 2010

SOCIEDADE DOS POETAS MORTOS

DEAD POETS SOCIETY
O melhor filme de todos os tempos!


por Joyce Kelly



Um filme de Peter Weir e protagonizado por Robin Williams, apresenta uma mistura fascinante de amor à vida, liberdade, sonhos e poesia além de todos os elementos da essencia humana.


O professor John Keating, com humor e sabedoria ensina seus alunos a viverem seus próprios sonhos e a fazerem de suas vidas extraordinárias. Ele começa sua primeira aula com o poema:


To the virgins to make much of time

"gather your rosebuds
while ye may
old time is still a flying
and this same flower
that smiles today
tomorrow will be dying"

Às virgens para aproveitar o tempo

"Pegue seus botões de rosa
enquanto pode
o tempo esta voando
a estas horas,
flores que hoje riem
amanhã estarão mortas"

Com esse poema ele os lembra de que devem viver cada momento de suas vidas . "Pegue seus botões de rosa enquanto pode" seize the day ou "aproveite o dia", CARPE DIEM, a filosofia de vida qu permeia todo o filme, desde a primeira aula até o momento do suicidio de Neil Perry. Na verdade, cada um dos alunos que compunham a sociedade dos poetas mortos, mostrou de alguma forma como poderiam aproveitar o dia.

O filme usa e abusa dos grandes poetas ingleses como Byron, Walt Witman [meu favorito], e Thoreau. Até mesmo os versos declamados antes dos encontros dos poetas mortos eram de Thoreau:
"Eu queria viver profundamente
e tirar toda a essencia da vida
fazer apodrecer tudo
que não era vida"


A expressão Oh Captain, my captain! do poema de "tio Walt" [como era chamado por Keating] sobre Abraan Lincon, era utilizada por seus alunos mais ousados para chamar o amado professor.

Oh me, oh life


oh me oh life
of the questions of these recurring
of the endless
traines of the faithless
of cities fill'd with th foolish
oh myself forever reproching myself
(for who more foolish than I? an who more faithless?)
of eyes that vainly
crave the light
of the objects mean of the struggle
ever renew'd
of th poor results of all

of the plodding and sordid crowds
I see around me af the empty
and useless year of the rest, with rest
me inter wined
the question oh me! so sad
recurring what good amid these
oh me oh life?
answer
that you are here
that life exists
and identity that powerful
plays goes on,
and you may
contribute a verse.
Walt Witman

Esse poema é citado no filme, postei aqui porque acho que merece ser lido na integra.


Os membros da sociedade:

Neil Perry
Todd Anderson
Knox Overstreet
Charlie Dalton
Richard Cameron
Steven Meeks
Gerard Pitts


Um dos momentos mais emocionantes do filme para mim é quando o professor Keating pede para Todd fechar os olhos e falar o que lhe vem à mente, e o garoto que sempre se mostrou timido e quieto revela um grande potencial poético, se é que isso existe! Na verdade, aquela cena revela uma verdade citada por Keating, e com a qual eu termino minhas considerações:

"Lemos e escrevemos poesia porque somos humanos. A raça humana está repleta de paixão. Poesia, beleza, romance, amor... é para isso que vivemos".

sexta-feira, 25 de junho de 2010

CD Mensagem de Fernando Pessoa


Um cd com algumas poesias de Fernando Pessoa....
Como se não fosse o bastante ele ser um poeta singular que nos encanta com sua habilidade de escrever e criar vidas, fomos presenteados com um cd com algumas das poesias contidas em Mensagem de Fernando Pessoa.
Uma produção de Andre Luiz Oliveira, músico, compositor, escritor e cineasta baiano.
O cd conta com a participação de Zé Ramalho, Gal Costa, Caetano Veloso, Belchior e outros.
Só é uma pena não ter Maria Bethania, porque quando ela recita os poemas de Pessoa em seus shows é de "endoidecer", é simplesmente encantador.
Para baixar o cd acesse o link:

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Florbela Espanca


Fanatismo

Fagner em poema de Florbela Espanca

do disco "Traduzir-se"



Minh'alma de sonhar-te,

anda perdida

Meus olhos andam cegos de te ver

Não és sequer a razão do meu viver

Posto que és já toda a minha vida

Não vejo nada assim, enlouquecida

Passo no mundo meu amor a ler

No misterioso livro do teu ser

A mesma história, tantas vezes lida

Tudo no mundo é frágil, tudo passa

Quando me dizem isto, toda a graça

De uma boca divina, cala em mim

E olhos postos em ti, digo de rastros

Podem voar mundos, morrer astros

Que tu és como um Deus, principio e fim

Eu, já te falei de tudo

Mas tudo isto é pouco

Diante do que sinto ...



Florbela Espanca, batizada Flor Bela Lobo (Vila Viçosa, Portugal; 8 de dezembro de 1894 — Foz do Douro, 8 de dezembro de 1930), foi uma poeta portuguesa. Precursora do movimento feminista em Portugal.


"A vida é sempre a mesma para todos: rede de ilusões e desenganos. O quadro é único, a moldura é que é diferente."



Amar!


Eu quero amar, amar perdidamente!

Amar só por amar:

Aqui...além...Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente

Amar!Amar!

E não amar ninguém!Recordar?Esquecer?Indiferente!...

Prender ou desprender?É mal?É bem?

Quem disser que se pode amar alguém

Durante a vida inteira é porque mente!

Há uma Primavera em cada vida:

É preciso cantá-la assim florida,

Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar!

E se um dia hei-de ser pó,cinza e nada

Que seja a minha noite uma alvorada,

Que me saiba perder... pra me encontrar...


"Tão pobres somos que as mesmas palavras nos servem para exprimir a mentira e a verdade"


"Nunca fui como todos

Nunca tive muitos amigos

Nunca fui favorita

Nunca fui o que meus pais queriam

Nunca tive alguém que amasse

Mas tive somente a mim

A minha absoluta verdade

Meu verdadeiro pensamento

O meu conforto nas horas de sofrimento

não vivo sozinha porque gosto

e sim porque aprendi a ser só..."



Amiga

Deixa-me ser a tua amiga,

Amor,

A tua amiga só, já que não queres

Que pelo teu amor seja a melhor,

A mais triste de todas as mulheres.

Que só, de ti, me venha mágoa e dor

O que me importa, a mim?!

O que quiseres

É sempre um sonho bom!

Seja o que for,Bendito sejas tu por mo dizeres!

Beija-me as mãos,

Amor, devagarinho...

Como se os dois nascessemos irmãos,

Aves cantando, ao sol, no mesmo ninho...

Beija-mas bem!...

Que fantasia louca

Guardar assim, fechados, nestas mãos,

Os beijos que sonhei prà minha boca!...




Eu ...

Eu sou a que no mundo anda perdida,

Eu sou a que na vida não tem norte,

Sou a irmã do Sonho,e desta sorte

Sou a crucificada ... a dolorida ...

Sombra de névoa tênue e esvaecida,

E que o destino amargo, triste e forte,

Impele brutalmente para a morte!

Alma de luto sempre incompreendida!...

Sou aquela que passa e ninguém vê...

Sou a que chamam triste sem o ser...

Sou a que chora sem saber porquê...

Sou talvez a visão que

Alguém sonhou,

Alguém que veio ao mundo pra me ver,

E que nunca na vida me encontrou!



sábado, 5 de junho de 2010

Está na hora de descomplicar!!



Estou precisando relaxar....


Descomplicar a vida, o tempo passa e quando a gente percebe nem viveu tudo o que deveria ter vivido.



“Parai de armazenar para vós tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem consomem, e onde ladrões arrombam e furtam. Antes, armazenai para vós tesouros no céu, onde nem a traça nem a ferrugem consomem, e onde ladrões não arrombam nem furtam. Pois, onde estiver o teu tesouro, ali estará também o teu coração" Mateus 6: 19-21


O tempo que gastamos nas nossas atividades revela nossas prioridades e onde se encontra nossa coração.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Versos escritos n'água de Clarisse dos Anjos


















Você é meu vício
alimento para os meus delírios
um espectro a me visitar todas as noites
Você é meu sonho
meu pesadelo
meu amor e meu desespero
meu amor e meu desespero
você é meu complemento
você é parte de mim
e eu faço parte de mim e eu
faço parte de você
Você é meu ar,
minha luz
Você é como brisa leve e suave
acariciando meu rosto
Você me perturba
você me dá paz
Você pra mim é assim
e eu só consigo te amar mais e mais...
..........................................................................
Esse mistério em seus olhos
me fascina
me embriaga
Eu preciso confessar
necessito falar
talvez a distancia ou o impedimento
me fizesse sonhar...
sonhar com seu amor, sonhar com você!
Agora essa barreira desabou
essa névoa se espalhou
e me pegou de surpresa
me deixou sem ação...
Esse mistério que há muito habitava em ti
não residia apenas em seu olhar,
mas eu seu corpo e em sua voz...
Sua voz
que eu nem conhecia!
Suas mãos,
Que eu nem mesmo cheguei a tocar!
Agora a porta se abriu
mas ainda há tanta insegurança em mim
Será que estou pronta pra você?
Será que você já está pronto pra mim?
Eu queria saber.
Não sei dizer...
.............................................................
Estou cansada de chorar
de lamentar e clamar por socorro
Estou cansada de verter lágrimas em vão
Estou cansada de jogar palavras ao vento
sem nenhum porque
Estou cansada de seguir
cansada de tentar
cansada de seguir
cansada de lutar.
Lutar por você!
Estou cansada desse jogo
desse nosso louco amor
desse nosso estranho viver
Estou cansada de você!
Estou pronta pra me libertar
Pronta para viver!
..................................................................
Tire-me tudo...
Deixe-me apenas
este lápis e papel...
Para que não acabe
esta infinita vontade
que tenho de escrever!
.........................................................

Queria poder voltar no tempo
e mudar os anos...
Refazer caminhos desfeitos
restaurar amizades rompidas
Amar quem deixei de amar
Pagar aquele abraço devido...
Perdoar e esquecer!

....................................................................

Há momentos em que me vem inspiração
e eu não estou preparada....
sem lápis e sem nenhuma
unica folha de papel!
Oh Deus!
Que momentos dolorosos são esses!
é como uma tortura
os pensamentos fervilhando
em minha mente
as palavras me assombrando
por tentarem manipular-me
as ideias tentando dominar meu ser
E minhas mãos paradas, inertes
sem ter onde escrever...
Que tortura!
Há momentos assim
em que a inspiração me assusta
vem subtamente me devora
lentamente...
E eu me deixo levar...
me desespero,
enlouqueço,
mas permaneço imóvel
esperando ela passar...
..............................................................

Para quê esse sorriso
Se em ti habita a solidão?
Para quê esse olhar tão doce ?
Se seus pensamentos são tão tristes?
Você não me engana,
Você já não engana mais ninguém...
sua mascara se desfaz a cada passo que você dá
Seu sorriso, seu olhar e suas palavras
hipnotizantes
já não tem mais efeito sobre mim
Você não me embriaga mais
com seus carinhos
Seu jogo acabou!
Revele-se!
.....................................................................

Amo-te

Amo-te amado meu,
amo-te,
mesmo sem saber quem és
amo os momentos em que estamos juntos
mesmo que minha insensível razão
insista em dizer-me que não estás ao meu lado
oh insensível razão
por que não me deixa de amar?
Pois em meu coração tu habitas
e dele és dono e senhor!
não conheço-te, é certo..
porém, amo-te
mais que a minha própria existência
teu corpo, teus olhos, teu sorriso,
e o doce do teu beijo,
cada gesto teu,
cada palavra tua,
faz-me sentir melhor
e que sou digna de amar-te
no entanto, este mesmo amor
que prende minha alma
é o mesmo que a destrói
por não fazer-se real
E neste sonho sem fim
meu coração sangra...
e luta...luta para não morrer
nunca desiste de tentar
pois sabe o quanto é dificil
sentir e não ver
querer e não tocar
e de repente perceber
que aqui ao meu lado,
tu ainda não estás!
................................................

Seu olhar

Eu queria mudar
não que eu não seja feliz....
eu sou!
mas de que adianta
me aceitar, se o mundo
me rejeita?
gosto quando seus olhos
olham para mim...
e olham para esta que sou agora
que aqui escreve...com lágrimas...
gosto do seu olhar livre,
sem preconceito, sem critérios
queria que todos me olhassem
assim como você!
queria que o mundo me aceitasse
porque ser como sou não me faz mal
mas, ser vista como sou,
me machuca, me mata.
eu só queria ser livre...
livre como seu olhar!

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Versos de mim mesmo

Sou um poeta egoísta
poeta que escreve de suas dores
seus dilemas
seus temores...
ao falar de mim, esqueço do mundo,
esqueço suas dores
e jogo fora seu pranto
por que sou um poeta egoísta
um miserável poeta egoísta!
mas, esse egoísmo é um desabafo,
um delírio, um suspiro...
ou seria um grito de socorro!?
Socorro dessa vida vazia
e sem cor.
esse egoísmo me corrói,
e a salvação só tu podes me dar
Liberte-me!
..................................................................................

Considerações sobre poesia

Poeta é fingidor
diz Pessoa
e de fato o é
se não o fosse que sentido haveria
por trás de linhas escritas
de poesia?
Poeta finge dores,
alegrias,
angústias
e sentimentos que acredita ter
que já quis sentir,
que já sentiu,
ou jamais sentirá!
e quem lê revive
revive uma dor
falsamente vivida
acredita sentir a mesma alegria
que o poeta acreditava sentir.
De fato, não há sentido em poesia
não há lógica em ser poeta
é apenas uma mistura louca
de sentimentos
reais ou imaginários
fantasmas em uma mente inquieta...
pensamentos que palavras
não consegiram espressar
e que o papel e a tinta
de dispuseram a explicar.




Versos intimos

Versos Íntimos

Augusto dos Anjos

Vês! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última quimera.
Somente a Ingratidão - esta pantera -
Foi tua companheira inseparável!

Acostuma-te à lama que te espera!
O Homem, que, nesta terra miserável,
Mora, entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.

Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.

Se a alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!


Curiosidade: O poema acima foi incluído no livro "Os Cem Melhores Poemas Brasileiros do Século", organizado por Ítalo Moriconi para a Editora Objetiva - Rio de Janeiro, 2001, pág. 61.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

SONG OF MYSELF Walt Whitman

Folhas de relva
Walt Whitman

CANÇÃO DE MIM MESMO

EU CELEBRO a mim mesmo, E o que eu assumo você vai assumir, Pois cada átomo que pertence a mim pertence a [ você.Vadio e convido minha alma,Me deito e vadio à vontade .... observando uma [ lâmina de grama do verão.Casas e quartos se enchem de perfumes .... as [ estantes estão entulhadas de perfumes,Respiro o aroma eu mesmo, e gosto e o [ reconheço,Sua destilação poderia me intoxicar também, [ mas não deixo.A atmosfera não é nenhum perfume .... não tem [ gosto de destilação .... é inodoro, É pra minha boca apenas e pra sempre .... estou [ apaixonado por ela, Vou até a margem junto à mata sem disfarces e [ pelado, Louco pra que ela faça contato comigo.A fumaça de minha própria respiração,Ecos, ondulações, zunzuns e sussurros .... raiz[ de amaranto, fio de seda, forquilha e videira, Minha respiração minha inspiração .... a batida [ do meu coração .... passagem de sangue e [ ar por meus pulmões, O aroma das folhas verdes e das folhas secas, [ da praia e das rochas marinhas de cores [ escuras, e do feno na tulha, O som das palavras bafejadas por minha voz .... [ palavras disparadas nos redemoinhos do [ vento,Uns beijos de leve .... alguns agarros .... o [ afago dos braços,Jogo de luz e sombra nas árvores enquanto [ oscilam seus galhos sutis,Delícia de estar só ou no agito das ruas, ou pelos [ campos e encostas de colina,Sensação de bem-estar .... apito do meio-dia [ .... a canção de mim mesmo se erguendo [ da cama e cruzando com o sol.
Uma criança disse, O que é a relva? trazendo um [ tufo em suas mãos; O que dizer a ela ?.... sei tanto quanto ela o que [ é a relva.Vai ver é a bandeira do meu estado de espírito, [ tecida de uma substância de esperança verde.Vai ver é o lenço do Senhor,Um presente perfumado e o lembrete derrubado [ por querer,Com o nome do dono bordado num canto, pra que possamos ver e examinar, e dizer É seu ?
O blablablá das ruas .... rodas de carros e o [ baque das botas e papos dos pedestres, O ônibus pesado, o cobrador de polegar [ interrogativo, o tinir das ferraduras dos [ cavalos no chão de granito. O carnaval de trenós, o retinir de piadas [ berradas e guerras de bolas de neve ; Os gritos de urra aos preferidos do povo .... [ o tumulto da multidão furiosa, O ruflar das cortinas da liteira — dentro um [ doente a caminho do hospital, O confronto de inimigos, súbito insulto, [ socos e quedas, A multidão excitada — o policial e sua estrela [ apressado forçando passagem até o centro [ da multidão; As pedras impassíveis levando e devolvendo [ tantos ecos,As almas se movendo .... será que são invisíveis [ enquanto o mínimo átomo é visível ? Que gemidos de glutões ou famintos que [ esmorecem e desmaiam de insolação [ ou de surtos, Que gritos de grávidas pegas de surpresa, [ correndo pra casa pra parir, Que fala sepulta e viva vibra sempre aqui.... [ quantos uivos reprimidos pelo decoro, Prisões de criminosos, truques, propostas [ indecentes, consentimentos, rejeições de [ lábios convexos, Estou atento a tudo e as suas ressonâncias .... [ estou sempre chegando.

Sou o poeta do corpo, E sou o poeta da alma.Os prazeres do céu estão comigo, os pesares do [ inferno estão comigo,Aqueles, enxerto e faço crescer em mim mesmo [ .... estes, traduzo numa nova língua.Sou o poeta da mulher tanto quanto do homem, E digo que é tão bom ser mulher quanto ser [ homem, E digo que não há nada maior que a mãe dos [ homens.


Vadio uma jornada perpétua,Meus sinais são uma capa de chuva e sapatos [ confortáveis e um cajado arrancado [ do mato ; Nenhum amigo fica confortável em minha [ cadeira, Não tenho cátedra, igreja, nem filosofia; Não conduzo ninguém à mesa de jantar ou à [ biblioteca ou à bolsa de valores,Mas conduzo a uma colina cada homem e mulher [ entre vocês,Minha mão esquerda enlaça sua cintura,Minha mão direita aponta paisagens de [ continentes, e a estrada pública.Nem eu nem ninguém vai percorrer essa estrada [ pra você,Você tem que percorrê-la sozinho.Não é tão longe assim .... está ao seu alcance,Talvez você tenha andado nela a vida toda e não [ sabia,Talvez a estrada esteja em toda parte sobre a [ água e sobre a terra.Pegue sua bagagem, eu pego a minha, vamos em [ frente; Toparemos com cidades maravilhosas e nações [ livres no caminho.Se você se cansar, entrega os fardos, descansa a [ mão macia em meu quadril, E quando for a hora você fará o mesmo por mim; Pois depois de partir não vamos mais parar

SONG OF MYSELF

I CELEBRATE myself; And what I assume you shall assume; For every atom belonging to me, as good belongs [ to you. I loafe and invite my Soul; I lean and loafe at my ease, observing a spear [ of summer grass. Houses and rooms are full of perfumes—the [ shelves are crowded with perfumes; I breathe the fragrance myself, and know it and [ like it; The distillation would intoxicate me also, but I [ shall not let it. The atmosphere is not a perfume—it has no taste [ of the distillation—it is odorless; It is for my mouth forever—I am in love with it; I will go to the bank by the wood, and become [ undisguised and naked; I am mad for it to be in contact with me. The smoke of my own breath; Echoes, ripples, buzz’d whispers, love-root, [ silk-thread, crotch and vine; My respiration and inspiration, the beating of my [ heart, the passing of blood and air through [ my lungs; The sniff of green leaves and dry leaves, and of [ the shore, and dark-color’d sea-rocks, [ and of hay in the barn; The sound of the belch’d words of my voice, [ words loos’d to the eddies of the wind; A few light kisses, a few embraces, a reaching [ around of arms; The play of shine and shade on the trees as the [ supple boughs wag; The delight alone, or in the rush of the streets, [ or along the fields and hill-sides; The feeling of health, the full-noon trill, [ the song of me rising from bed and [ meeting the sun.


A child said, What is the grass? fetching it to me [ with full hands; How could I answer the child? I do not know [ what it is, any more than he. I guess it must be the flag of my disposition, [ out of hopeful green stuff woven. Or I guess it is the handkerchief of the Lord, A scented gift and remembrancer, designedly [ dropt, Bearing the owner’s name someway in the [ corners, that we may see and remark, [ and say, Whose?

The blab of the pave, the tires of carts, sluff of [ boot-soles, talk of the promenaders; The heavy omnibus, the driver with his [ interrogating thumb, the clank of the shod [ horses on the granite floor; The snow-sleighs, the clinking, shouted jokes, [ pelts of snowballs; The hurrahs for popular favorites, the fury of [ rous’d mobs; The flap of the curtain’d litter, a sick man [ inside, borne to the hospital; The meeting of enemies, the sudden oath, the [ blows and fall; The excited crowd, the policeman with his star, [ quickly working his passage to the centre of [ the crowd; The impassive stones that receive and return so [ many echoes; What groans of over-fed or half-starv’d who fall [ sun-struck, or in fits; What exclamations of women taken suddenly, [ who hurry home and give birth to babes; What living and buried speech is always vibrating [ here—what howls restrain’d by decorum; Arrests of criminals, slights, adulterous offers [ made, acceptances, rejections with convex [ lips; I mind them or the show or resonance of them — [ I come again and again.
I am the poet of the Body; And I am the poet of the Soul. The pleasures of heaven are with me, and the [ pains of hell are with me; The first I graft and increase upon myself—the [ latter I translate into a new tongue. I am the poet of the woman the same as the [ man; And I say it is as great to be a woman as to be [ a man; And I say there is nothing greater than the [ mother of men.

I tramp a perpetual journey, My signs are a rain-proof coat, good shoes, and a [ staff cut from the woods; 1200 No friend of mine takes his ease in my chair; I have no chair, no church, no philosophy; I lead no man to a dinner-table, library, or [ exchange; But each man and each woman of you I lead [ upon a knoll, My left hand hooking you round the waist, My right hand pointing to landscapes of [ continents, and a plain public road. Not I—not any one else, can travel that road [ for you, You must travel it for yourself. It is not far—it is within reach; Perhaps you have been on it since you were born, [ and did not know; Perhaps it is every where on water and on land. Shoulder your duds, dear son, and I will mine, [ and let us hasten forth, Wonderful cities and free nations we shall fetch [ as we go. If you tire, give me both burdens, and rest the [ chuff of your hand on my hip, And in due time you shall repay the same service [ to me; For after we start, we never lie by again.

Álvaro de Campos Saudação a Walt Whitman

Álvaro de Campos
Saudação a Walt Whitman

Portugal Infinito, onze de junho de mil novecentos e quinze... Hé-lá-á-á-á-á-á-á!
De aqui de Portugal, todas as épocas no meu cérebro, Saúdo-te, Walt, saúdo-te, meu irmão em Universo, Eu, de monóculo e casaco exageradamente cintado, Não sou indigno de ti, bem o sabes, Walt, Não sou indigno de ti, basta saudar-te para o não ser... Eu tão contíguo à inércia, tão facilmente cheio de tédio, Sou dos teus, tu bem sabes, e compreendo-te e amo-te, E embora te não conhecesse, nascido pelo ano em que morrias, Sei que me amaste também, que me conheceste, e estou contente. Sei que me conheceste, que me contemplaste e me explicaste, Sei que é isso que eu sou, quer em Brooklyn Ferry dez anos antes de eu nascer, Quer pela Rua do Ouro acima pensando em tudo que não é a Rua do Ouro, E conforme tu sentiste tudo, sinto tudo, e cá estamos de mãos dadas, De mãos dadas, Walt, de mãos dadas, dançando o universo na alma.
Ó sempre moderno e eterno, cantor dos concretos absolutos, Concubina fogosa do universo disperso, Grande pederasta roçando-te contra a adversidade das coisas, Sexualizado pelas pedras, pelas árvores, pelas pessoas, pelas profissões, Cio das passagens, dos encontros casuais, das meras observações, Meu entusiasta pelo conteúdo de tudo, Meu grande herói entrando pela Morte dentro aos pinotes, E aos urros, e aos guinchos, e aos berros saudando Deus!
Cantor da fraternidade feroz e terna com tudo, Grande democrata epidérmico, contágio a tudo em corpo e alma, Carnaval de todas as ações, bacanal de todos os propósitos, Irmão gêmeo de todos os arrancos, Jean-Jacques Rousseau do mundo que havia de produzir máquinas, Homero do insaisissable de flutuante carnal, Shakespeare da sensação que começa a andar a vapor, Milton-Shelley do horizonte da Eletricidade futura! incubo de todos os gestos Espasmo pra dentro de todos os objetos-força, Souteneur de todo o Universo, Rameira de todos os sistemas solares...
Quantas vezes eu beijo o teu retrato! Lá onde estás agora (não sei onde é mas é Deus) Sentes isto, sei que o sentes, e os meus beijos são mais quentes (em gente) E tu assim é que os queres, meu velho, e agradeces de lá —, Sei-o bem, qualquer coisa mo diz, um agrado no meu espírito
Uma ereção abstrata e indireta no fundo da minha alma.
Nada do engageant em ti, mas ciclópico e musculoso, Mas perante o Universo a tua atitude era de mulher, E cada erva, cada pedra, cada homem era para ti o Universo.
Meu velho Walt, meu grande Camarada, evohé! Pertenço à tua orgia báquica de sensações-em-liberdade, Sou dos teus, desde a sensação dos meus pés até à náusea em meus sonhos, Sou dos teus, olha pra mim, de aí desde Deus vês-me ao contrário: De dentro para fora... Meu corpo é o que adivinhas, vês a minha alma — Essa vês tu propriamente e através dos olhos dela o meu corpo — Olha pra mim: tu sabes que eu, Álvaro de Campos, engenheiro, Poeta sensacionista, Não sou teu discípulo, não sou teu amigo, não sou teu cantor, Tu sabes que eu sou Tu e estás contente com isso!
Nunca posso ler os teus versos a fio... Há ali sentir demais... Atravesso os teus versos como a uma multidão aos encontrões a mim, E cheira-me a suor, a óleos, a atividade humana e mecânica. Nos teus ver sos, a certa altura não sei se leio ou se vivo, Não sei se o meu lugar real é no mundo ou nos teus versos,
Não sei se estou aqui, de pé sobre a terra natural, Ou de cabeça pra baixo, pendurado numa espécie de estabelecimento, No teto natural da tua inspiração de tropel, No centro do teto da tua intensidade inacessível.
Abram-me todas as portas! Por força que hei de passar! Minha senha? Walt Whitman! Mas não dou senha nenhuma... Passo sem explicações... Se for preciso meto dentro as portas... Sim — eu, franzino e civilizado, meto dentro as portas, Porque neste momento não sou franzino nem civilizado, Sou EU, um universo pensante de carne e osso, querendo passar, E que há de passar por força, porque quando quero passar sou Deus! Tirem esse lixo da minha frente! Metam-me em gavetas essas emoções! Daqui pra fora, políticos, literatos, Comerciantes pacatos, polícia, meretrizes, souteneurs, Tudo isso é a letra que mata, não o espírito que dá a vida. O espírito que dá a vida neste momento sou EU!
Que nenhum filho da... se me atravesse no caminho! O meu caminho é pelo infinito fora até chegar ao fim! Se sou capaz de chegar ao fim ou não, não é contigo, E comigo, com Deus, com o sentido-eu da palavra Infinito... Pra frente! Meto esporas! Sinto as esporas, sou o próprio cavalo em que monto, Porque eu, por minha vontade de me consubstanciar com Deus, Posso ser tudo, ou posso ser nada, ou qualquer coisa, Conforme me der na gana... Ninguém tem nada com isso... Loucura furiosa! Vontade de ganir, de saltar, De urrar, zurrar, dar pulos, pinotes, gritos com o corpo, De me cramponner às rodas dos veículos e meter por baixo, De me meter adiante do giro do chicote que vai bater, De ser a cadela de todos os cães e eles não bastam, De ser o volante de todas as máquinas e a velocidade tem limite, De ser o esmagado, o deixado, o deslocado, o acabado, Dança comigo, Walt, lá do outro mundo, esta fúria, Salta comigo neste batuque que esbarra com os astros, Cai comigo sem forças no chão, Esbarra comigo tonto nas paredes, Parte-te e esfrangalha-te comigo Em tudo, por tudo, à roda de tudo, sem tudo, Raiva abstrata do corpo fazendo maelstroms na alma...
Arre! Vamos lá pra frente! Se o próprio Deus impede, vamos lá pra frente Não faz diferença Vamos lá pra frente sem ser para parte nenhuma Infinito! Universo! Meta sem meta! Que importa?
(Deixa-me tirar a gravata e desabotoar o colarinho . Não se pode ter muita energia com a civilização à roda do pescoço ...) Agora, sim, partamos, vá lá pra frente.
Numa grande marche aux flabeux-todas-as-cidades-da-Europa, Numa grande marcha guerreira a indústria, o comércio e ócio, Numa grande corrida, numa grande subida, numa grande descida Estrondeando, pulando, e tudo pulando comigo, Salto a saudar-te, Berro a saudar-te, Desencadeio-me a saudar-te, aos pinotes, aos pinos, aos guinos!
Por isso é a ti que endereço Meus versos saltos, meus versos pulos, meus versos espasmos Os meus versos-ataques-histéricos, Os meus versos que arrastam o carro dos meus nervos.
Aos trambolhões me inspiro, Mal podendo respirar, ter-me de pé me exalto, E os meus versos são eu não poder estoirar de viver.
Abram-me todas as janelas! Arranquem-me todas as portas! Puxem a casa toda para cima de mim! Quero viver em liberdade no ar, Quero ter gestos fora do meu corpo, Quero correr como a chuva pelas paredes abaixo, Quero ser pisado nas estradas largas como as pedras, Quero ir, como as coisas pesadas, para o fundo dos mares, Com uma voluptuosidade que já está longe de mim!
Não quero fechos nas portas! Não quero fechaduras nos cofres! Quero intercalar-me, imiscuir-me, ser levado, Quero que me façam pertença doída de qualquer outro, Que me despejem dos caixotes, Que me atirem aos mares, Que me vão buscar a casa com fins obscenos, Só para não estar sempre aqui sentado e quieto, Só para não estar simplesmente escrevendo estes versos! Não quero intervalos no mundo!
Quero a contigüidade penetrada e material dos objetos! Quero que os corpos físicos sejam uns dos outros como as almas, Não só dinamicamente, mas estaticamente também!
Quero voar e cair de muito alto! Ser arremessado como uma granada! Ir parar a... Ser levado até... Abstrato auge no fim cie mim e de tudo!
Clímax a ferro e motores! Escadaria pela velocidade acima, sem degraus! Bomba hidráulica desancorando-me as entranhas sentidas!
Ponham-me grilhetas só para eu as partir! Só para eu as partir com os dentes, e que os dentes sangrem Gozo masoquista, espasmódico a sangue, da vida!
Os marinheiros levaram-me preso, As mãos apertaram-me no escuro, Morri temporariamente de senti-lo, Seguiu-se a minh'alma a lamber o chão do cárcere privado, E a cega-rega das impossibilidades contornando o meu acinte.
Pula, salta, toma o freio nos dentes, Pégaso-ferro-em-brasa das minhas ânsias inquietas, Paradeiro indeciso do meu destino a motores!
He calls Walt:
Porta pra tudo! Ponte pra tudo! Estrada pra tudo! Tua alma omnívora, Tua alma ave, peixe, fera, homem, mulher, Tua alma os dois onde estão dois, Tua alma o um que são dois quando dois são um, Tua alma seta, raio, espaço, Amplexo, nexo, sexo, Texas, Carolina, New York, Brooklyn Ferry à tarde, Brooklyn Ferry das idas e dos regressos, Libertad! Democracy! Século vinte ao longe! PUM! pum! pum! pum! pum! PUM! Tu, o que eras, tu o que vias, tu o que ouvias, O sujeito e o objeto, o ativo e o passivo, Aqui e ali, em toda a parte tu, Círculo fechando todas as possibilidades de sentir, Marco miliário de todas as coisas que podem ser, Deus Termo de todos os objetos que se imaginem e és tu! Tu Hora, Tu Minuto, Tu Segundo! Tu intercalado, liberto, desfraldado, ido, Intercalamento, libertação, ida, desfraldamento, Tu intercalador, libertador, desfraldador, remetente, Carimbo em todas as cartas, Nome em todos os endereços, Mercadoria entregue, devolvida, seguindo... Comboio de sensações a alma-quilômetros à hora, À hora, ao minuto, ao segundo, PUM!
Agora que estou quase na morte e vejo tudo já claro, Grande Libertador, volto submisso a ti.
Sem dúvida teve um fim a minha personalidade. Sem dúvida porque se exprimiu, quis dizer qualquer coisa Mas hoje, olhando para trás, só uma ânsia me fica — Não ter tido a tua calma superior a ti-próprio, A tua libertação constelada de Noite Infinita.
Não tive talvez missão alguma na terra.
Heia que eu vou chamar Ao privilégio ruidoso e ensurdecedor de saudar-te Todo o formilhamento humano do Universo, Todos os modos de todas as emoções Todos os feitios de todos os pensamentos, Todas as rodas, todos os volantes, todos os êmbolos da alma. Heia que eu grito E num cortejo de Mim até ti estardalhaçam Com uma algaravia metafisica e real, Com um chinfrim de coisas passado por dentro sem nexo.
Ave, salve, viva, ó grande bastardo de Apolo, Amante impotente e fogoso das nove musas e das graças, Funicular do Olimpo até nós e de nós ao Olimpo.


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segunda-feira, 19 de abril de 2010

beija flor


Beija flor no jardim; tive sorte ao tirar esta foto!!! kkkk







Maria Bethania


Maria Bethania é uma grande interprete da música brasileira, ela é minha cantora favorita e costuma citar em suas apresentações versos de Fernando Pessoa, como nessa música "mensagem".

Mensagem
Maria Bethânia


Quando o carteiro chegou e o meu nome gritou

Com uma carta na mão

Ah! De surpresa, tão rude,

Nem sei como pude chegar ao portão

Lendo o envelope bonito,

O seu sobrescrito eu reconheci

A mesma caligrafia que me disse um dia

"Estou farto de ti"

Porém não tive coragem de abrir a mensagem

Porque, na incerteza, eu meditava

Dizia: "será de alegria, será de tristeza?"

Quanta verdade tristonha

Ou mentira risonha uma carta nos traz

E assim pensando, rasguei sua carta e queimei

Para não sofrer mais
Todas as cartas de amor são ridículas,

Não seriam cartas de amor, se não fossem ridículas

Também escrevi, no meu tempo,

cartas de amor como as outras, ridículas

As cartas de amor, se há amor, têm de ser ridículas

Quem me dera o tempo em que eu escrevia,

sem dar por isso, cartas de amor ridículas

Afinal, só as criaturas que nunca escreveram cartas de amor

é que são ridículas
Porém não tive coragem de abrir a mensagem

Porque, na incerteza, eu meditava

Dizia: "será de alegria, será de tristeza?"

Quanta verdade tristonha

Ou mentira risonha uma carta nos traz

E assim pensando, rasguei sua carta e queimei

Para não sofrer mais

.......
Quanto a mim o amor passou

Eu só lhe peço que não faça como gente vulgar

E não me volte a cara quando passa por si

Nem tenha de mim uma recordação em que entre o rancor

Fiquemos um perante o outro

Como dois conhecidos desde a infância

Que se amaram um pouco quando meninos

Embora na vida adulta sigam outras afeições

Conserva-nos, escaninho da alma,

a memória de seu amor antigo e inútil


.....................

Chão de Estrelas



Minha vida era um palco iluminado

E eu vivia vestido de dourado

Palhaço das perdidas ilusões

Cheio dos guisos falsos da alegria

Andei cantando a minha fantasia

Entre as palmas febris dos corações
Meu barracão lá no morro do salgueiro

Tinha um cantar alegre de um viveiro

Foste a sonoridade que acabou

E hoje quando do sol a claridade

Cobre meu barracão sinto saudade

da mulher pomba-rola que voou

Nossas roupas comuns dependuradas

nas cordas qual bandeiras agitadas

pareciam um estranho festival

festa dos nossos trapos coloridos

a mostrar que nos morros mal vestidos

é sempre feriado nacional
A porta do barraco era sem trinco

E a lua furando nosso zinco

salpicava de estrelas nosso chão

E tu, tu pisavas nos astros distraída

Sem saber que a ventura dessa vida

É a cabrocha, o luar e o violão

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Um Jeito Estúpido De Te Amar
Maria Bethânia

Composição: Isolda e Milton Carlos
Eu sei que eu tenho um jeito

Meio estúpido de ser

E de dizer coisas que podem magoar e te ofender

Mas cada um tem o seu jeito

Todo próprio de amar e de se defender

Você me acusa e só me preocupa

Agrava mais e mais a minha culpa

Eu faço, e desfaço, contrafeito

O meu defeito é te amar demais

Palavras são palavras

E a gente nem percebe o que disse sem querer

E o que deixou pra depois

Mais o importante é perceber

Que a nossa vida em comum

Depende só e unicamente de nós dois

Eu tento achar um jeito de explicar

Você bem que podia me aceitar

Eu sei que eu tenho um jeito meio estúpido de ser

Mas é assim que eu sei te amar



sexta-feira, 16 de abril de 2010





Kiss and Say Goodbye


Barry White


This is got to be the saddest day of my life
Esse deve ser o dia mais triste da minha vidaI call you here today for a bit of bad news
Eu chamei você aqui hoje para dar notícias ruinsI won't be able to see you anymore
Eu não posso mais ver vocêBecause of my obligations and the ties that you have.
Por causa das minhas obrigações e as amarras que você tem.We've being meeting here everyday
Nós temos nos encontrado aqui todos os diasAnd since this is our last day together
E já que esse é o nosso ultimo dia juntosI wanna hold you, just one more time.
Eu quero te abraçar, só mais uma vezWhen you turn and walk away
Quando você se virar e for emboraDon't look back
Não olhe para trásI wanna remember you, just like this
Eu quero lembrar de você exatamente assimLet's just kiss and say goodbye.
Vamos apenas nos beijar e dizer adeus.I have to meet you here today
Eu tive que encontrar com você aqui hojeThere's just so many things to say
Existem tantas coisas para se dizerPlease don't stop me 'til I'm through
Por favor não me interronpa até eu acabarThis is something I hate to do.
Isso é algo que eu estou odiando fazerWe've being meeting here so long
Mesmo estando nos encontrando aqui a tanto tempoI guess what we've done, all was wrong
Eu acho que o que nós fizemos, tudo foi erradoPlease darling, don't you cry
Por favor querida, não choreLet's just kiss and say goodbye.
Vamos apenas nos beijar e dizer adeus.Many months have passed us by
Muitos meses tem passado por nós(I'm gonna miss you) I'm gonna miss you, I can't lie
Eu vou sentir sua falta, eu não posso negar
(
I'm gonna miss you) I've got ties and so do you
Eu tenho amarras e você tambémI just think this is the thing to do.
Eu apenas acho que é isso que devemos fazer
It's gonna hurt me I can't lie
Isso vai me machucar eu não posso negar
Maybe you'll meet, you'll meet another guy
Talvez você conheça, você conheça outro rapazUnderstand me, won't you try, try, try, try, try, try, try
Me entenda, você não pode tentar?Let's just kiss and say goodbye.
Vamos apenas nos beijar e dizer adeus.(I'm gonna miss you) I'm gonna miss you, I can't lie
Eu vou sentir sua falta, eu não posso negar(I'm gonna miss you) Understand me, won't you try
Me entenda, você não pode tentar?(I'm gonna miss you) It's gonna hurt me I can't lie.
Isso vai me machucar eu não posso negar.


Biografia(resumo)
Barrence Eugene Carter, mais conhecido como Barry White (Galveston, 12 de Setembro de 1944Los Angeles, 4 de Julho de 2003) foi um cantor e produtor musical norte-americano. Compositor de inúmeros sucessos em estilo soul e disco e de baladas românticas, e um intérprete com voz profunda e grave, um verdadeiro poeta romântico.

Escrever é esquecer. A literatura é a maneira mais agradável de ignorar a vida. A música embala, as artes visuais animam, as artes vivas (como a dança e a arte de representar) entretêm. A primeira, porém, afasta-se da vida por fazer dela um sono; as segundas, contudo, não se afastam da vida - umas porque usam de fórmulas visíveis e portanto vitais, outras porque vivem da mesma vida humana. Não é o caso da literatura. Essa simula a vida. Um romance é uma história do que nunca foi e um drama é um romance dado sem narrativa. Um poema é a expressão de ideias ou de sentimentos em linguagem que ninguém emprega, pois que ninguém fala em verso.



Amo como ama o amor. Não conheço nenhuma outra razão para amar senão amar. Que queres que te diga, além de que te amo, se o que quero dizer-te é que te amo?



As vezes ouço passar o vento; e só de ouvir o vento passar, vale a pena ter nascido.



Quero para mim o espírito desta frase,transformada a forma para a casar com o que eu sou:Viver não é necessário; o que é necessário é criar.



Tenho em mim todos os sonhos do mundo



O amor romântico é como um traje, que, como não é eterno, dura tanto quanto dura; e, em breve, sob a veste do ideal que formámos, que se esfacela, surge o corpo real da pessoa humana, em que o vestimos. O amor romântico, portanto, é um caminho de desilusão. Só o não é quando a desilusão, aceite desde o príncipio, decide variar de ideal constantemente, tecer constantemente, nas oficinas da alma, novos trajes, com que constantemente se renove o aspecto da criatura, por eles vestida.



A maioria pensa com a sensibilidade, eu sinto com o pensamento. Para o homem vulgar, sentir é viver e pensar é saber viver. Para mim, pensar é viver e sentir não é mais que o alimento de pensar.



O meu passado é tudo quanto não consegui ser. Nem as sensações de momentos idos me são saudosas: o que se sente exige o momento; passado este, há um virar de página e a história continua, mas não o texto.



Toda a poesia - e a canção é uma poesia ajudada - reflecte o que a alma não tem. Por isso a canção dos povos tristes é alegre e a canção dos povos alegres é triste.



Eu não escrevo em português. Escrevo eu mesmo.



A maioria pensa com a sensibilidade, eu sinto com o pensamento. Para o homem vulgar, sentir é viver e pensar é saber viver. Para mim, pensar é viver e sentir não é mais que o alimento de pensar.



O poeta é um fingidor.Finge tão completamenteQue chega a fingir que é dorA dor que deveras sente.





Ao meu mestre em poesia

Fernando Pessoa - por ele mesmo.




sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Eu sei, mas não devia

Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E, porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E, porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E, porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E, à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora. A tomar o café correndo porque está atrasado. A ler o jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduíche porque não dá para almoçar. A sair do trabalho porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra. E, aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E, aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz. E, não acreditando nas negociações de paz, aceita ler todo dia da guerra, dos números, da longa duração.A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto. A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita. E a lutar para ganhar o dinheiro com que pagar. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagar mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra.A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes. A abrir as revistas e ver anúncios. A ligar a televisão e assistir a comerciais. A ir ao cinema e engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.A gente se acostuma à poluição. Às salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às bactérias da água potável. À contaminação da água do mar. À lenta morte dos rios. Se acostuma a não ouvir passarinho, a não ter galo de madrugada, a temer a hidrofobia dos cães, a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta.A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente molha só os pés e sua no resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele. Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se de faca e baioneta, para poupar o peito. A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, gasta de tanto acostumar, se perde de si mesma.

Delírios

"Eu gosto de viver. Já me senti ferozmente, desesperadamente, agudamente feliz, dilacerada pelo sofrimento, mas através de tudo ainda sei, com absoluta certeza, que estar viva é sensacional." [ Agatha Christie ]

"Gosto de viver. Algumas vezes me sinto muito, desesperadamente, loucamente miserável, atormentada pela aflição, mas mesmo diante disso tudo eu compreendo que estar viva é uma coisa grandiosa." [ Agatha Christie ]